#pensathivo em: existe criatividade na dor?
- Thiago Reis

- 21 de set. de 2022
- 3 min de leitura
Poético, não é mesmo? Complexo também. Pra falar a verdade eu nem sei nem por onde começar. Mas, vamos por partes.
O projeto inacabado.
Recentemente, um projeto em que eu estava envolvido teve um fim inesperado. Os detalhes e motivos vão ficar de fora porque são irrelevantes pro andamento deste causo. Mais por ética do que por irrelevância.
O que importa: eu fiquei mal por isso. Mal mesmo! Nível "xoxa, capenga, manca, anêmica, frágil e inconsistente" de abatido. E eu nem imaginava ficar tão mal. Por um tempo, quis me convencer de que tava tudo bem, afinal, eu não tive culpa. Fiz tudo da melhor forma possível com as ferramentas que tinha e a certeza de que o meu máximo foi feito. Então, por que toda essa sensação de derrota?
O Thiago estava no chão, chorando em posição fetal por causa de ego ferido.
O ego ferido.
Sim, amigos. E é estranho falar isso de peito aberto. É tão pessoal, tão fora da casinha pro Thiago.
Agora, não pense que essa constatação veio de bandeja. Queria que tivesse vindo!
O reconhecimento desse fato surgiu depois de muita merenda que só a Dra. Andréa sabe dar.
E manos, como foi desconfortável ouvir isso. Só Deus sabe o quanto me doeu!
O planejamento furado.
E esse nem é o ponto principal! Tudo aconteceu tão rápido que foi como se um furacão tivesse passado por mim. Um turbilhão que me tirou da zona de conforto e me deixou desnorteado e desconfigurado.
Sem chão. Sem um plano B.
Logo eu... O rei dos planos B, C e D.
Como assim o meu planejamento perfeito furou?
Tudo o que eu construí desmoronou? Acabou? É esse o meu fim?
Beleza. Estamos na mesma página!
Agora que você "sabe" o que aconteceu e o momento em que me encontro, vamos ao que interessa: existe criatividade na dor?
Imagina o seguinte, eu sou todos esses sentimentos que você acabou de ler mas a vida não parou. Mesmo acabado eu preciso atualizar currículo, produzir conteúdo e participar de processos seletivos. Não só isso! Preciso socializar em família e amigos, organizar boletos, fazer exercícios, ressignificar a rotina, criar novos hábitos... a lista é imensa!
Mas, como fazer isso se a minha única vontade é ficar em um quarto escuro no friozinho sem dizer uma palavra? A nova pergunta de milhões.
Nesse momento não sai nada, não se desenvolve, não se cria.
Tudo é ruim. Até esse texto que você está lendo foi um parto pra sair.
Dias e dias de um grande apagão criativo onde um estado quase que vegetativo tomou conta de mim.
Liga o computador, olha pra tela, vai pro TikTok, muda pro Instagram, uma olhada rápida no Twitter e volta pra tela... Nada. Lê o texto novamente, fecha o computador, põe uma série, come algo, liga de novo... Nada.
E tá tudo bem?
Sim, está. Óbvio que você não pode se deixar tomar por esse sentimento pra sempre. Mas, está OK ter momentos onde é mais difícil escrever ou até mesmo pensar. Todos nós passamos por momentos ruins e você tem o direito de "viver esse luto". É óbvio também que a terapia ajuda muito a você atravessar essa fase com sabedoria. Então, permita-se falhar, permita-se ser triste e não ter um plano reserva. Permita-se também não se comparar com todos. Estamos em momentos diferentes e em corridas diferentes. E além disso, o mais importante é que não somos máquinas! Criatividade não é receita de bolo. Precisamos parar de industrializar o pensamento humano e nos cobrar com tanta rigidez. Não somos feitos para acordar e produzir 50 posts por dia.
Precisamos repensar isso e eu acredito que não estamos prontos para ter essa conversa a nível de mercado, mas estamos chegando lá.
Por fim, seguimos com fé.
Eu sei, eu sei. O texto é confuso e pra muitos pode até parecer sem pé e nem cabeça ou até mesmo fútil e sem importância. Mas, o autor tá meio abitolado. Então, vamos perdoando qualquer coisa.
Em resumo, as impressões que ficam é que cada dia mais vamos discutir a relação que a saúde metal tem com a nossa vida profissional e o quanto ela influencia não só esse campo mas todo o nosso ser.





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